Maconha, o cavalo vegetal.

Terra, semente, planta e remédio. Esse é nosso caminho e objetivo.

Antes de começar a falar sobre os aspectos que pretendo abordar nesse texto, peço licença ao leitor para falar sobre cavalos…

Quando pensamos sobre o processo de dominação da natureza pelo ser humano, desde seus primeiros assentamentos, ou mesmo quando ainda nômade, além dos óbvios fogo e roda. Falta um reconhecimento do papel do maior colaborador que o ser humano já teve, que é o cavalo.

Após os processo evolutivos que a biologia explica, há alguns milhares de anos, homem e cavalo se encontraram e, em através de sua domesticação, o ser humanos expandiu-se e evoluiu com a ajuda desse grande parceiro de várias áreas como a agricultura, o transporte (e a expansão pelo mundo), força motriz para transformar a natureza ao nosso favor. Mas também foi usado para coisas ruins como dominação de outros povos e guerras.

Mitos foram criados, clássicos como a figura do Centauro, que numa alegoria filosófica, que descreve a junção da inteligência do ser humano com o vigor físico dos equinos.

O cavalo é vida e se confunde com a própria história da humanidade, sempre presente no instantâneo de cada experiência…

O processo de adestramento/domesticação se desenvolve e gerações de cavalos vão sendo construídas já carregando todo o significado dessa relação.

Técnicas genéticas se desenvolvem, produzindo cavalos cada vez mais fortes.

Devemos a esse animal, estarmos usando calças, pois elas foram inventadas para dar mais conforto ao ato de montar!

Factóides foram criados para o uso dos cavalos, seu uso físico mas também mistificado ajudava aos colonizadores cumprirem suas metas de dominação, fazendo um uso perverso desse parceiro tão querido…

Todo automóvel de hoje, guarda em si a ancestralidade dos cavalos, inclusive sob seus potentes motores medidos por cavalo de força…

Mesmo com a revolução industrial sua função continua até os dias atuais, como parceiro dos mais pobres, no mundo rural, até como commodities dos mais ricos que negociam esperma geradores de campeões e os fazendo competir entre si pelo simples prazer de ver quem chega em primeiro.

Sabemos hoje até mesmo do potencial terapêutico dos cavalos, com crianças que necessitam de cuidados diferenciados. A equoterapia é uma das terapêuticas de maior sucesso.

Portanto, este é um animal há cavalos e relações de todos tipos.

Faço toda essa cavalar descrição ou descrição cavalar para lançar luz e produzir justiça histórica a maconha.

A Maconha é nosso cavalo vegetal. Ou o Cavalo é nossa maconha animal, como queiram…

O extrato rico em CBD para criança que convulsiona é um unicórnio real, dentro do universo lúdico dessa criança.

Junto com os cavalos e tão importante quanto, Ela está presente desde as primeiras domesticações de plantas para cultivo, na revolução agrícola, que nos permitiu fixar moradia.

Desde então ela é usada como remédio e como fonte de matéria prima para uma infinidade de tecnologias… Suas sementes são muito nutritivas, têm uma quantidade abundante de óleo, seu caule é rico em fibras extremamente resistentes e, sua polpa, rica em celulose com um sem nuemros de aplicações e usos na industria em geral.

Suas flores sempre deram remédios para mais variadas enfermidades. Está presente em todos os compêndios de saúde, em todas as medicinas do mundo. Na Indiana, a mais antiga, é considerada uma das plantas sagradas.

Com a revolução industrial, os cavalos não foram proibidos por interesses econômicos e articulações políticas escusas.

Como disse no texto da minha tese e livro, a maconha é tratada como a Geni das plantas quando, na verdade, ela é Maria!

Reconhecendo tudo isso que a maconha foi, devemos pensar no que ela é hoje, nos dias atuais, para estruturarmos o que ela será no futuro.

O que queremos?

Nossa Associação ABRACannabis é formada por equipe multi e transdisciplinar com atuação nas ciências da saúde, (pesquisa e cuidados), humanas, exatas e nas artes, que tem como foco promover a inclusão social e o respeito aos direitos humanos, principalmente dos pacientes que utilizam a cannabis medicinal, através do apoio ao acesso gratuito e incondicional de uma produção 100% brasileira, sem nenhuma dependência de empresas multinacionais libertando a essência natural e fundamental da liberdade da planta.

Queremos o justo, apenas isso.

O justo é, ao nosso ver, a descriminalização da planta. O direito ao cultivo.

Temos plena noção de que existe um mercado inteiro a ser cada vez mais explorado, como já vem ocorrendo. Todas as empresas multinacionais, autorizadas ou não pela ANVISA, para fornecer, via importação e a preços proibitivos, estão na disputa desse mercado. Ok. (Re) Conhecemos a inevitabilidade do jogo/negócio, no entanto, é preciso lutar para que esta realidade, não venha prejudicar o mais pobre, ou que o dano a ele, seja minimizado. Falamos da necessidade de justiça, re (conhecendo) também a desigualdade social escancarada diante de nossos olhos.

Há de se ter muita responsabilidade social.

Nós, da ABRACannabis, não queremos saber do mercado. Não temos interesse no mercado. Temos interesse em tornar a maconha tão popular e acessível quanto o boldo. Para isso, nossa luta é por conquistar o direito ao cultivo coletivo e a possibilidade de pesquisar junto com a FIOCRUZ, a fim de contribuir para a produção de um remédio nacional, barato e entregue por um preço justo ao SUS.

Queremos ensinar as pessoas sobre a planta e promover sua desmistificação. Falando de outro modo, a informação é o REMÉDIO. Nós, pequenos no tamanho, mas gigantes na vontade, precisamos que essas grandes empresas, sejam Coerentes e acima de tudo éticas. Percebam as contrastes de um pais plural como o Brasil e explorem o mercado que vocês vão explorar com postura social.

Não precisamos apenas do remédio, precisamos de contrapartidas sociais!

Numa sociedade mais justa, em que a descriminalização vai parar de matar negros pobres, com ou sem farda, custos operacionais oriundos da estrutura social diminuem. A descriminalização é boa para todas as partes.

Tenham como objetivo a descriminalização, façam a pressão, mercado! intencionem a mudança nas leis, a reclassificação da planta. Acreditem: vocês vão lucrar muito mais numa sociedade mais justa.

Não deixando de fora que estamos falando de saúde, podem me chamar de idealista (alias, como seria viver sem ideais?), mas na área de saúde, em qualquer especialidade, devemos colocar o humano em primeiro lugar. O lucro deve ser uma conseqüência do bem cuidar. Empatia e respeito é fundamental para que nós sobrevivamos como espécie. Não é através da força ou da dominação dos corpos dos outros que vamos evoluir.

É através dos afetos, do respeito. Precisamos desenvolver mto mais o conceito e o entendimento de coletividade, querer crescer e ajudar o semelhante a crescer junto.

Ao invés de apenas importar, se importem!

Podemos hoje ter um pé de boldo em casa, comprar caixinha de chá da leão no mercado ou um extrato padronizado na farmácia ou ainda manipular extrato de boldo seco numa fórmula.

Queremos isso com a maconha.

Afinal, há cavalos em todas as áreas, em todos os nichos sociais, de pangarés à puros-sangues, no interior e nas cidades, em competições ou criados em casa.

A verdade é que o ser humano sempre contará com a ajuda dos cavalos sejam eles animais ou vegetais. Eles compõem nossa existência…

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